Eu assisto American Horror Story desde a primeira temporada, que descobri quando morei no Canadá. Eu não era uma grande fã de filmes de terror, mas todo o estilo da série me chamou atenção.

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A primeira temporada é super louca, todas as surpresas são muito interessantes e a história, o estilo de filmar, tudo é muito bem feito. A segunda temporada (Asylum) é interessantíssima, trata muito bem de um assunto delicado, que são os asilos religiosos para pessoas com deficiência, muito usados antigamente.

A quarta e última temporada lançada (Freak Show),  ao meu ver, traz uma visão muito interessante sobre as pessoas marginalizadas na sociedade pelas diferenças físicas. Para mim todas as temporadas, exceto a primeira, que é mais neutra, têm uma pegada crítica muito interessante.

A terceira temporada (Coven) definitivamente é a minha preferida. Coven em português poderia ser traduzido por “assembleia de bruxas” e trata da história de uma escola de bruxas que está em decadência em Nova Orleans.

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Para mim, toda história de terror no AHS sempre é pano de fundo para tratar de diversas temáticas. E nessa temporada, trataram da bruxaria, de mulheres que possuem diversos poderes. Elas precisam desenvolvê-los, mas são perseguidas por caçadores, e por isso o número de meninas mandadas à escola é reduzido, pelo medo dos pais das pequenas bruxas.

Claro que os poderes podem ser tratados metaforicamente, assim como as mulheres que foram perseguidas na Europa do século XV ao XVII não possuíam poderes mágicos (até onde sabemos haha), mas sim representavam alguma ameaça àqueles que tinham poder político nesse período.

O fato é: as mulheres caçadas e condenadas à morte nesse período eram acusadas de fatos absurdos, como rogar praga com doenças na população (inclusive de serem culpadas pela epidemia da peste negra), problemas “espirituais” e até catástrofes naturais.

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No seriado, as bruxas devem aprender a manejar os seus poderes da melhor forma possível, usá-lo de forma adequada, e o mais importante: manterem-se unidas. É uma metáfora muito importante para o poder feminino e a nossa cooperação umas com as outras. Jamais seremos fortes de verdade se não soubermos que juntas, somos mais fortes.

Ao meu ver, a caça às bruxas foi feita como uma tentativa de anulação de mulheres que possuíam grandes conhecimentos e poderes. Já li que as condenadas muitas vezes detinham forte conhecimento sobre medicina natural e eram parteiras. Não poderiam formalizar o conhecimento porque não eram permitidas nas universidades, mas eram fortes e inteligentes para aprenderem e praticarem seus ofícios. Porém, não era interessante para o patriarcado que as mulheres tivesse uma atitude muito… “ameaçadora”. Felizmente hoje estamos recuperando essa história.

Vejam o trailer da temporada no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=aYMIj7AL4I0

Além de tudo, é um ótimo passatempo pra assistir!

Há uma questão interessante e muito delicada nessa temporada também: retratam uma mulher sádica e racista, importante personagem na trama. Ela viveu quando os negros eram escravos em Nova Orléans e foi amaldiçoada a não morrer, sendo forçada a vê-los hoje, livres. A personagem é perturbada e muito ácida, faz coisas terríveis no passado e não se contenta com o que vê no presente. Há quem diga que a série não retratou o racismo de forma não-crítica, já eu vi o oposto.

Uma das coisas que mais me arrepiou em todas as temporadas de American Horror Story foi essa música:

https://www.youtube.com/watch?v=0LtdZnAAktg

“Before I’ll be a slave, I’ll be burried in my grave/ go home to the Lord, and be free”

Qual a sua temporada preferida?

Beijos