Viram recentemente uma menina que falou sobre a sua preferência de cores no programa da Fátima Bernardes? A página do Facebook Empodere Duas Mulheres compartilhou um trecho do programa:

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Não sei até que ponto a preferência pelo rosa – ou azul – é impresso pela sociedade e pelos pais, mas arriscaria dizer que a influência é forte. Esse vídeo acabou me lembrando a polêmica do Kinder Ovo, que até hoje insiste em dividir os ovos baseado no presentinho que vem dentro: de menina e de menino. Além disso, reforça o velho “menina tem que gostar de rosa e menino tem que gostar de azul…”, além de forçar a barra dizendo qual brinquedo é adequado pra cada um.

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Foto: Divulgação

Por ter um irmão mais velho, eu sempre fui questionadora das práticas e brinquedos “de menina”, porque sempre brinquei com caminhãozinho e ainda colocava um amiguinho pra cuidar das crianças enquanto eu ia trabalhar quando brincava de casinha (!).

Além das óbvias diferenças anatômicas, toda diferença existente entre os sexos é cultural. A determinação de quem pode fazer o quê é geralmente agressiva e começa a ser ditada desde antes de nascermos. A cor do enxoval, os brinquedinhos, os temas das roupinhas… Todos nós somos perfeitamente capazes e dotados para perfomar qualquer atividade. A diferença é que meninas e meninos são incentivados e encorajados a praticar determinada variedade de atividades desde muito cedo.

Foi nessa onda que eu encontrei a expressão em inglês gender bender, que significa dobrar ou contornar (bend) o conceito de gênero, explorar o que podemos usar do outro gênero. O filho de Will Smith por exemplo, chamado Jaden Smith, gosta de usar vestidos. Ao ser questionado por que usa roupas de mulher, ele responde “não são roupas de mulher, são roupas”.

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Foto: Hollywood Life

A moda é um dos poucos espaços que as mulheres conquistaram para expandir o espectro de gênero, como quando Coco Chanel começou a desenhar calças para mulheres. É um espaço que os homens ainda não têm, porque se você não for Jaden Smith ou um modelo na passarela, vão achar muito esquisito você sendo homem e usando saia por aí. Mas eu sou a favor das quebranças de paradigmas. Em pleno 2015, até corte de cabelo as pessoas querem questionar: “homem de cabelo comprido é afeminado, mulher de cabelo muito curto é machona” (pro-ble-ma do/a dono/a do cabelo, não??).

Bom, não apenas pelo rosa e pelo azul, mas os estereótipos de gênero em brinquedos são complicados porque as crianças começam a ser diferenciadas quando ainda são iguais. E não se deixem enganar por “meninas desenvolvem a parte verbal do cérebro primeiro” e “meninos desenvolvem a parte lógica do cérebro primeiro” porque nesse sentido, teríamos é que estimular meninas a brincar com bloquinhos e máquinas e meninos com atividades mais verbais e criativas como brincar de casinha. Separar as brincadeiras pode acarretar em muita perda de aprendizado, oportunidades e exploração do mundo de formas diferentes…

Dizer que um menino não pode chorar, forçá-lo a beijar menininhas, dar brinquedos agressivos – como armas e soldados – é o que constroi homens agressivos, e não somente os níveis de testosterona no sangue. Criar meninas incentivando-as a serem sempre meigas e submissas, brincando sempre com bonecas e forçando o papel materno – como se fosse um papel natural e destinatário ao sexo feminino – é o que faz meninas sempre mais desencorajadas a praticar determinados tipos de esportes e não escolher carreiras mais tipicamente masculinas, por exemplo.

Além disso, as limitações nunca param quando começamos a crescer, dividindo adolescentes e jovens adultos e muitas vezes ditando as atividades que devem fazer pelos restos de suas vidas simplesmente porque nasceram com uma genitália X. Toda diferenciação forçada cheira um pouco a controle social. As oportunidades devem ser iguais e devemos ser livres em nossas escolhas!

Recomendo demais esse vídeo pra vocês, sobre um pai e sua reação ao filho escolher uma boneca pra brincar. Depois, não deixem de ver o vídeo seguinte recomendado no canto superior da tela:

Torço para que a gente consiga continuar encorajando e empoderando nossas crianças… E a nós mesmos/as também! Usemos rosa, azul, e façamos o que queremos fazer! O importante é que a escolha seja consciente.